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21 de fevereiro de 2018


Como você tem preparado suas crianças nessa quaresma?


Pais, padrinhos, catequistas, evangelizadores, trago hoje uma reflexão bem prática acerca do tempo quaresmal, e como ele pode ser vivido também na infância.
Sabemos que a quaresma é um tempo litúrgico que nos leva a conversão de coração, uma preparação para a páscoa, por meio da penitência, caridade, oração e jejum.
Mas só viveremos bem esse tempo, se o nosso coração arder de amor por Jesus, se reconhecermos o quanto amado por ele somos e ver na sua história, a misericórdia divina do Pai, que deu seu filho, para nos salvar!
Portanto acredito que a primeira iniciativa para bem viver a quaresma, é explicar o que ela significa de forma clara e objetiva, trazendo todo o contexto da história de Jesus, desde o anúncio pelo anjo Gabriel até sua morte e ressurreição. (Por mais que a criança já conheça essa história, acrescente novos fatos, apresente a bíblia como esse livro tão importante que conta toda a história de Jesus).
Em outro momento, você pode iniciar de fato a preparação da quaresma, falando sobre o tempo que Jesus foi tentado no deserto, ou seja, você pode explicar que o mal existe, e que está sempre buscando uma maneira de entrar no nosso coração. Satanás ele tem raiva de Deus e da sua criação, por isso, quer que nós nos afastemos de Deus que é nosso Pai, ele sabe que toda vez que pecamos, que realizamos algo errado, nós ferimos o coração de Deus.
Por isso muitas vezes, o pecado, aparece como uma coisa boa, algo que nos traz um certo prazer, mas que no fim as consequências são sempre ruins. Satanás quando tentou Jesus não o ofereceu coisas ruins. Mas Jesus, por estar em constante oração e jejum percebeu que aquilo não vinha de Deus e sim do mal, e conseguiu vencer todas as tentações.
É por isso que nesse tempo de quaresma, somos convidados a viver esse tempo de oração, jejum e caridade, pois só estando em profunda intimidade com Deus podemos vencer ao mal.
Depois de toda essa explicação, sugiro montar um calendário quaresmal, que pode ser feito como um jogo de tabuleiro, como painel com um envelope por dia, enfim, o importante é registrar uma penitencia para cada dia. O ideal é que a própria criança sugira o que gostaria de fazer. Digo isso, pois as vezes os pais querem que a criança abra mão de algo, mas se ela não quiser, ao invés da penitência dar frutos ela vai gerar justo o contrário.
Algumas sugestões: Pedir perdão quando fizer algo errado, alegrar alguém que esteja triste, elogiar alguém, ajudar a preparar a comida, sorrir para todos, cumprimentar aqueles que você todos os dias, perdoar aos que me ofenderem, ajudar um amigo, ser gentil, obedecer sem reclamar, rezar em família, fazer um presente para alguém, arrumar muito bem o meu quarto, Lembrar de Jesus (falar com ele em oração), rezar à Virgem Maria, não reclamar da comida, desligar a televisão e o computador e fazer outra coisa, abraçar a todos, doar brinquedos e roupas que não uso para quem precisa, não comer algo que goste.
Se as crianças forem pequenas você pode ajuda-las a perceber a passagem do tempo quaresmal fazendo uma coroa de 40 espinhos (massinha e palitos de sorvete), onde a cada dia se retira um espinho. Quebra cabeça com 40 peças, que vocês podem confeccionar e a cada dia colocam uma peça.
O Mais importante é o exemplo, ensine a si mesmo e a criança que a quaresma é sobre como se tornar alguém melhor. Esses valores devem durar depois que acabar esse tempo litúrgico.

Fonte: Blog Colo de Deus
Fonte imagem: Internet

21 de março de 2017


Como acontece o desenvolvimento psíquico da 

criança?



O desenvolvimento psíquico da criança é iniciado já no ventre materno, por isso é preciso que os pais lhe transmitam afeto

Sabemos que a gravidez é um acontecimento marcante para a vida conjugal. Diante
disso, quando um casal não está maduro – psicologicamente falando – para tal
realidade, o que isso pode acarretar no desenvolvimento da criança ainda no ventre
materno e após o seu nascimento?
É preciso, primeiro, entender o que significa um casal que ainda não está
psicologicamente “maduro”. Podemos ver que, muitas vezes, uma mãe e um pai que
não tenham se preparado adequadamente para esse momento de ter um filho, podem
 rejeitar essa criança. Esses pais podem apresentar reações que funcionam para a
criança como se fosse uma rejeição; e isso pode ocorrer já no começo da gravidez,
porque, desde o início, a criança já tem uma vida psíquica. Quanto mais a criança se
 sente rejeitada no ventre materno, tanto mais ela vai sendo afetada na continuidade
 de sua gestação de forma tranquila. Essa é uma das principais consequências dessa
imaturidade.
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Qual o papel da mãe nos primeiros anos de vida da criança?

De início, a mãe é tudo. Ela é o “ambiente” da criança. Acima de tudo, é importante
avaliarmos que a criança não tem noção da separação entre ela e a mãe nessa fase.
Então, toda a disponibilidade que a mãe tem em atender as necessidades do bebê vai 
dando à criança essa noção de quem ela é. Esse é um processo gradativo, 
principalmente no primeiro semestre de vida do bebê. A mãe é o ambiente, o objeto a
 ser encontrado. É ela quem proporciona o atendimento das necessidades da criança.
 E, à medida que o bebezinho vivencia a satisfação de suas necessidades, ele vai,
 inclusive, desenvolvendo uma confiança nesse ambiente.
A mãe é aquela que, de início, supre as necessidades do bebê. Para isso, a natureza é
muito sábia, pois prepara a mãe, durante a gestação, para que ela tenha essa adaptação
absoluta para atender a necessidade do bebê. Nisso, a natureza demonstra sua soberania,
 pois prepara essa mãe para esquecer-se de si mesma e devotar-se totalmente ao bebê
que ela está gerando. Isso lhe proporciona conhecer seu bebê,  descobrir qual é a
necessidade dessa criança. Portanto, a mãe é o “mundo inicial” de seu filho.

Como o pai deve agir no processo inicial de desenvolvimento da criança?

É muito interessante observarmos que a criança não tem separação de quem ela é, quem
 é o mundo, quem é a mãe, quem é o pai. Porque, de início, ela [a criança] é “um”, é
somente ela. Com isso, o pai estará diretamente implícito na figura da mãe. Ele tem a
importância de ser suporte emocional para mãe, porque, se a mãe se devota inteiramente
 ao seu bebê, ela necessita também ser sustentada emocionalmente por esse esposo.
O homem precisa ter essa consciência de que é o suporte. O bebê vai perceber que o pai
 é uma pessoa diferenciada da mãe no fim do seu primeiro ano de vida. Mas o pai está,
desde o início, fazendo parte desse ambiente da criança, ele está “unificado” com a mãe
 exatamente para dar o suporte necessário a ela e, indiretamente, ao bebê.
Quando o bebê completa, aproximadamente, o primeiro ano de vida, percebe que é uma
 pessoa e que a mãe é outra. E quando ele começa a fazer essa divisão, percebe o pai
como a primeira pessoa que ele tem o conhecimento de ser uma pessoa inteira. O bebê
 vive esse processo de se diferenciar da mãe e também descobrir essa “terceira pessoa”,
 que é a figura paterna. É uma trindade que vai se formando. O pai tem uma função
prioritária na vida do bebê. O esposo é aquele que gera essa mãe, essa mulher que se
sente “inteira”, sustentada emocionalmente para enfrentar a etapa tão delicada da gravidez.

Construção da personalidade da criança

Eu voltaria até mesmo neste início, que é tão precioso e rico. Pense bem: até então,
a criança é “pura necessidade”. Ela ainda não tem capacidade de agir para conseguir
aquilo de que precisa para atender suas necessidades. Então, ao ter uma mãe que atende
 sua necessidade, o que a criança experimenta? Ela começa a desenvolver a confiança,
que é o “germe da fé”. Ela começa a acreditar que o mundo pode vir ao encontro daquilo
que ela necessita. Eu diria que o desenvolvimento dessa confiabilidade é a base da
esperança, na qual a sua necessidade será atendida.
Paralelo a esse processo, a criança vai percebendo a mãe como uma pessoa diferente dela
. A criança, então, passa a estabelecer uma “troca”, na qual ela se sente realizada naquilo
 que ela pode oferecer de si mesma. Eu diria que essa é a base da moralidade. A criança
tem constantes necessidades. Ela, cada vez mais, “usa” dessa mãe, exige dela. E à
medida que a mãe acolhe esse gesto espontâneo de “troca” que o bebê faz, ou seja, esse
gesto de carinho do bebê, ela faz com que se inicie, ali, o processo de desenvolvimento da
confiança e da capacidade de “dar algo” por parte dela.
A partir do fruto dessa relação de confiança inicial, os pais vão passando seus valores à
 criança. E a criança percebe que aquilo no qual os pais acreditam diz respeito também a
 ela. Dessa forma, vai se estabelecendo o conceito de Deus na vida dessa criança e, mais
 tarde, ela desenvolve uma ideia mais aprimorada do Senhor. Aí começa a base dessa
capacidade de a criança ter fé e confiança.

Reflexos da ausência paterna ou materna

Quando você fala dessa “ausência”, quer dizer essa situação de não ter a mãe ou o pai
 biológico presente, certo? Mas será necessário, de fato – e eu insisto muito neste ponto –,
 que existam pessoas que ocupem essa função materna e paterna. Numa situação de
falecimento, doença ou até mesmo pelas circunstâncias da vida, nas quais há essa
ausência materna ou paterna, é necessário que haja pessoas que consigam suprir esse
cuidado essencial necessitado pela criança. Avós, tios, padrinhos… Enfim, pessoas que –
 com equilíbrio e da maneira certa, com limites adequados para cada tempo – cuidem
dessa criança. Tudo isso com muito amor!
Estamos acostumados a ver muitos pais adotivos que fornecem um referencial de
segurança e carinho, um apoio psicológico – até mais do que muitos pais biológicos –,
 justamente por causa do amor que eles têm, estes pais estão prontos para fornecer o
suporte à criança.
Dra. Telma Maria Jordão Bevilaqua, psicóloga clínica que apresenta importantes aspectos 
sobre o desenvolvimento psíquico infantil.

Fonte: Canção Nova

A preciosa bênção dos pais



A Sagrada Escritura nos alerta sobre a necessidade dessa bênção
Quando eu era criança, estava acostumado a pedir a bênção aos meus pais a 
qualquer hora que saísse ou chegasse em casa. Era um apressado “bênça, pai!”
, bênça, mãe!”,” tão apressado que quase não se ouvia a resposta. Todos nós, 
quando crianças, estávamos tão acostumados a pedir a bênção dos pais que, 
quando saíamos sem ela, parecia-nos que faltava algo à nossa segurança ou 
ao sucesso de nossos planos.… Ao menos quatro vezes por dia eu e meus oito 
irmãos pedíamos a bênção a nossos pais: ao acordarmos, ao irmos para a escola, 
ao voltarmos da escola e ao nos deitarmos.
Hoje, passados os anos, tenho profunda consciência da importância da bênção dos
pais na vida dos filhos. É a Sagrada Escritura que nos alerta sobre a necessidade 
dessa bênção. Toda a Bíblia está repleta de passagens indicando a importância que
Deus dá aos pais na vida dos filhos. Os pais são os cooperadores de Deus na criação
dos filhos e, dessa forma, são também um canal aberto para que a bênção divina
chegue a eles [filhos].
O livro do Deuteronômio registra o quarto mandamento: “”Honra teu pai e tua mãe,
como te mandou o Senhor, para que se prolonguem teus dias e prosperes na terra que
 te deu o Senhor teu Deus”” (Dt 5,16). Dessa forma, o Senhor promete vida longa e
prosperidade àqueles que honram os pais. São Paulo disse que esse é “o primeiro
mandamento acompanhado de uma promessa de Deus” (Ef 6,2).
Os livros dos Provérbios e do Eclesiástico estão cheios de versículos que trazem a
marca da presença dos pais. Eis um deles: “”A bênção paterna fortalece a casa de
seus filhos, a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces”” (Eclo 3,11). Esse
versículo mostra que a bênção dos pais (e também a maldição!) não é simplesmente
uma tradição do passado ou mera formalidade social. Muito mais do que isso, a
Sagrada Escritura nos assegura que a bênção dos pais é algo eficaz e real, isto é,
um meio que Deus escolheu para agraciar os filhos. O Senhor quis outorgar aos pais
 o direito e o poder de fazer a Sua bênção chegar aos filhos. É a forma que Deus usou
 para deixar clara a importância dos genitores. Analisemos estas passagens marcantes:
“Ouvi, meus filhos, os conselhos de vosso pai, segui-os de tal modo que sejais salvos,
pois Deus quis honrar os pais pelos filhos e, cuidadosamente, fortaleceu a autoridade
da mãe sobre eles. Quem honra sua mãe é semelhante àquele que acumula um tesouro.
 Quem honra seu pai achará alegria em seus filhos, será ouvido no dia da oração.
Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência, a fim de que ele te dê sua
bênção, e que esta permaneça em ti até o teu último dia. Pois um homem adquire glória
 com a honra de seu pai, e um pai sem honra é a vergonha do filho. Como é infame
aquele que abandona seu pai, como é amaldiçoado por Deus aquele que irrita sua mãe!”
 (Eclo 3, 2-3.5-6.9-10.13.18).
Todos esses versículos do capítulo 3 do Eclesiástico mostram claramente a grande
importância que Deus dá aos pais na vida dos filhos e, de modo especial, à bênção
paterna e materna. Infelizmente, muitos pais já não sentem a prerrogativa de que Deus
 lhes deu para educar formar e abençoar os filhos. Muitos já não acreditam no poder da
bênção paterna e nem mesmo ensinam os filhos a pedi-la.
Os pais têm uma missão sagrada na terra, pois deles dependem a geração e a educação
 dos filhos de Deus. Eles são os primeiros mensageiros de Deus na vida dos filhos,
sobre os quais têm o poder de atrair as dádivas divinas. Não importa qual seja a
 idade do filho, ele sempre deve pedir a bênção de seus pais. E também não importa
 se o velho pai é um doutor ou um analfabeto, o filho não deve perder a oportunidade
 de ser abençoado por ele, se possível todos os dias, mesmo já adulto.
Se você ainda tem seus pais (ou apenas um deles) não perca a oportunidade que
Deus lhe dá de lhes beijar as mãos e lhes pedir a bênção, para que Deus o abençoe,
 guiando seus passos e protegendo sua vida. Importa jamais nos esquecermos de
que, enquanto “a bênção paterna fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma
 mãe a arrasa até os alicerces” (Eclo 3,11).
Fonte: Canção Nova

13 de outubro de 2016

O que acontece na infância não fica na infância



Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco, mas somos responsáveis pela infância de nossos filhos.
Há tempos, sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável. Recentemente, li algo sobre o assunto, que citava o seguinte exemplo: se uma criança, que chora e pede para ser alimentada, é ignorada pela mãe no momento do choro, mas é atendida quando espera em silêncio, esta criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir e nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio.
Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Esta criança se tornará um adulto que não luta pelo que quer, mas que espera silenciosamente. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um individuo a sua vida inteira, sem que o mesmo nem se dê conta.
Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias, a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa: falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo, além de esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar freneticamente com as crianças. Por vezes, trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa.
O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher estava sempre competindo com a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável e a mulher parecia ser tranquila.
Eu me pergunto: o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe? Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da insegurança da mãe?
De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?
Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas proporcionam. Conheço uma psicóloga que decidiu pausar sua vida profissional, quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha, para que a mesma pudesse se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e com comportamentos oriundos de uma infância mal vivida. Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano.
Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.
Ser criança é ser um indivíduo vazio, pronto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças?
Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, utilizamos os recursos da psicologia. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.
Que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e difícil.
Porque o que acontece na infância não fica na infância. Mas fica… para a vida toda!
Fonte: Aleteia

Como explicar o mal às crianças?



Uma leitura importante para os pais
Crimes, guerras, terrorismo e violência fazem parte do mundo que as crianças têm para descobrir. O confronto entre um mundo seguro e protetor e o mundo real pode traduzir-se em dúvidas e medos. E as questões começam a surgir em catadupa. Como podem os educadores responder às crianças? Como colocá-las perante o inevitável sem que isso as deixe paralisadas?
O Homem e o mundo são feitos de contrastes, entre bem e mal, certo e errado, paz e guerra, extremismo e tolerância, e, ainda que se tentasse, seria quase impossível tentar privar os mais novos desta dicotomia. Mas é isto o mesmo que dizer que os miúdos devem estar expostos a todas as violências?
Nos últimos meses, a História da humanidade tem-se construído também com atos particularmente difíceis de assimilar: pessoas assassinadas por uma opinião expressada, pessoas perseguidas pela religião que professam, meninas raptadas, maltratadas e mortas, cujo “crime” foi irem à escola, crianças, muitas crianças assassinadas e algumas utilizadas como bombas.
Nem sempre é fácil perceber onde fica a fronteira entre o contato desejável com a realidade e a informação em excesso, entre o que é essencial e o que é “sensacionalista”, entre o que é necessário e dispensável.
Essa gestão deve, em primeiro lugar, «ser feita pelos educadores», começa por dizer Bento Sério, psicólogo.
E há aspetos a ter em conta. A exposição à violência deve ter «alguns filtros». «Há coisas que nós podemos, se as crianças são muito pequeninas, ter cuidado… naquilo que se vai mostrar, naquilo que se vai dizer.»
O que não é o mesmo que dizer afastar a criança da realidade ou mantê-la numa «paz podre», continua o psicólogo. Até porque em algum momento a criança poderá ser confrontada com a violência, possivelmente sem o enquadramento desejável por parte de um adulto. «A paz que a ignorância traz pode ser rapidamente abalada quando a informação chega de forma inadequada», por exemplo, através de outras crianças e sem a devida contextualização.
A opinião é partilhada por Maria da Conceição Moita, educadora de infância que, numa entrevista por e-mail, explicou que, consoante a fase de desenvolvimento da criança, poderá não fazer sentido expor as crianças a determinadas imagens. «Não faz sentido que vejam telejornais (e mesmo outros programas…) quando não têm capacidade de distanciamento crítico, quando ainda não têm possibilidade de entender o conteúdo da notícia e só veem imagens que lhes sugerem qualquer coisa que as perturba.»
A educadora entende também que, quando já conseguem compreender o que se lhes apresenta, os educadores devem acompanhar as crianças em matéria de violência. «Não só lhes dá segurança como pode ser uma ajuda fundamental no entendimento do que se está a ver/ouvir e na construção de um sentido crítico que não deixe as crianças “desamparadas” perante uma situação que pode ser para elas muito agressiva e chocante. Conheço famílias em que todos veem o telejornal em conjunto, o que propicia o comentário partilhado e emergência de perguntas. O abandono das crianças diante de um televisor é que me parece muito negativo», continua.
Nas explicações dadas pelos educadores, Bento Sério considera que há também outros fatores a que os adultos devem dar atenção, nomeadamente ao que a criança já sabe sobre o tema, «porque provavelmente ela já ouviu qualquer coisa e só quando nós perguntamos à criança o que é que ela sabe sobre isso é que nós ficamos a perceber qual o tipo de resposta que temos de lhes dar, sem ter de estar a dar demasiada informação e a contribuir para que ela se baralhe ainda mais quando se calhar ela apenas queria saber uma coisa simples».
Igualmente importante, em idades mais jovens, é simplificar a linguagem. «Se nós não simplificarmos, provavelmente a seguir a esta questão virá outra. Temos de saber responder de forma clara para garantir que a resposta que lhe damos a satisfaz por completo», afiança o psicólogo. Para além disso, «não vou deixar a criança a pensar sobre o assunto, pois ela não tem capacidade de abstração» para poder «refletir» sobre a questão.
De acordo com cada momento, a criança, à medida que se vai desenvolvendo, vai pedindo explicações mais elaboradas sobre os temas, e Maria da Conceição Moita recorre a um exemplo prático. «Ninguém janta uma vez por todas. As crianças vão aprendendo a História, vão aprendendo a contextualizar, vão vendo as relações humanas de forma mais complexa. É toda uma aprendizagem. Que também se faz ao longo da vida», conclui.
Bento Sério considera que, por vezes, pode acontecer que as crianças fiquem um pouco assustadas quando são confrontadas com o lado escuro da realidade, mas que «há sempre formas de desconstruir algo que não é bom. Não nos podemos esquecer de que estamos a trabalhar com crianças e às vezes demora a que elas consigam entender ou aceitar aquela explicação de uma forma mais leve, não tão assustadora.»
Ainda assim, é possível chegar a um meio-termo entre o medo e a segurança, entre uma vivência descontraída e alguns cuidados a ter. Ao explicar à criança episódios violentos, o adulto pode não só ajudar a criança a aperceber-se e proteger-se dos perigos, mas também a percepcionar, para cada aspeto negativo, um positivo.
No fim da história, o que é importante é que a criança perceba que «não está sozinha», defendem os dois especialistas, e que tenha sempre presente que «o Amor nos acompanha», conclui Maria Conceição.
Fonte:http://pt.aleteia.org/2015/04/16/como-explicar-o-mal-as-criancas/