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23 de março de 2017

A via-sacra da criança 



A via-sacra é uma antiga devoção cristã que praticamos sobretudo na Quaresma e, de um modo especial, na Sexta-Feira Santa. Recorda-nos os diversos passos do caminho de Jesus em direção ao Calvário, até à morte na cruz e sepultura. Presentemente, há muitas pessoas que sofrem na carne as consequências de uma via-sacra constante, que parece não ter fim. A história de milhões de crianças, sobretudo no Sul do mundo, são os caminhos por onde hoje Cristo passa de novo entre nós. A vida delas é uma via-sacra atual, que nós vamos agora percorrer.

1ª Estação: Jesus é condenado à morte

A criança é condenada à morte ainda antes de nascer. Nos países do Sul,
as crianças já nascem com uma dívida, que terão de pagar aos países industrializados.

Os homens inclinaram-se para o mal. Estão a destruir a Natureza.
A maioria dos males são causados pela ambição do dinheiro e do poder.
Eu creio que o dinheiro não é essencial. É mais importante viver feliz com os outros.

2ª Estação: Jesus carrega com a cruz

A criança sofre a carga da violência e do abandono.

Trabalho 12 horas por dia com um salário de miséria. Tenho a coluna vertebral deformada por carregar tijolos à cabeça. Não tive infância para poder brincar.

3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez

A criança questiona-nos sobre as injustiças e perigos da sociedade em que vive.

Diversos companheiros da minha escola morreram nos atalhos da montanha ou dos arrozais, ou então em cima de uma ponte.
Outros ficaram sem pernas ou braços.
As minas terrestres são armadilhas perigosas, disseminadas por toda a parte.

4ª Estação: Jesus encontra a Sua Mãe

A criança descobre aquela que será a sua verdadeira mãe: a rua, o grupo, o «gang».

Na rua encontrei a única alternativa possível para a minha vida. Trabalho de sol a sol, mendigo um pedaço de pão, arrumo carros ou roubo nos campos. Vivo nas ruas de São Paulo, de Lisboa ou de Hong Kong e durmo em casas abandonadas, parques ou passeios. Ainda bem que tenho alguns amigos.

5ª Estação: Jesus é ajudado pelo Cireneu a levar a cruz

A criança recebe ajuda para carregar a sua cruz.

Tive de fugir de casa. Vivia na rua. Agora um grupo de pessoas querem resolver a minha desesperada situação. O carinho e o afecto que encontrei nelas ajudam-me a superar muitos problemas.

6ª Estação: A Verónica enxuga o rosto de Jesus

A solidariedade de algumas pessoas reconhece o rosto de Cristo em todas as crianças que vivem abandonadas, exploradas e oprimidas.

Sou uma menina do Equador. Os meus três irmãos mais pequenos já trabalham no campo ou guardam o gado. Não podemos ir à escola. Penso que ninguém se apercebe de nós, ninguém nos dá carinho. Mas não perdemos a esperança.

7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez

Com a adolescência, a criança vê aumentar também o seu compromisso de transformar os mecanismos de uma sociedade que a marginaliza e que a mata.

Muitas vezes ralham-me porque sujo as meias, mas pagam-me sempre. Regresso a casa com o que ganho engraxando sapatos na rua, e podemos comer. Somos seis pessoas na família e a minha casa só tem duas divisões: a cozinha e um quarto onde todos dormimos.

8ª Estação: Jesus consola as mulheres de Jerusalém

Nos países em guerra, três em cada dez crianças morrem antes de atingir
os cinco anos. Mas a criança não quer ser considerada unicamente como vítima.

As nossas escolas estão fechadas. A guerra deu cabo de tudo.
Não podemos brincar nem sei onde estão os meus companheiros.
Minha mãe diz-me para não chorar, que a paz chegará em breve, que voltaremos a brincar e a ir à escola.
Não sei porque é que as injustiças dos homens causam tanto sofrimento.

9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez

A criança atingiu uma idade em que procura integrar-se no mundo dos adultos. Mas estes continuam a olhar para ela com desconfiança.

Vivo na rua. A rua aceita-me e quer-me tal como sou. Aí roubo, como, vivo. Um dia, talvez um «justiceiro» me mate. Há tempos mataram nove companheiros que dormiam no adro da igreja. Não nos deixam fazer mais nada. Ganhamos a vida como podemos para metermos alguma coisa à boca.

10ª Estação: Jesus é despojado das suas vestes

Às crianças tira-se-lhes a esperança e o desejo de viver.

Que futuro têm as crianças africanas? A fome, as injustiças, o analfabetismo e as doenças fazem-nos antever um futuro aterrador.
No meu país, o Sudão, muitas crianças são despojos de guerra: capturadas como escravas e vendidas para trabalharem em casas particulares ou nos campos.

11ª Estação: Jesus é pregado na cruz

A criança é pregada na cruz da marginalização e do abandono.

A pobreza empurra-me para a rua.
Não sei ler nem escrever.
Não tenho família nem amigos, nem brinquedos, nem escola para frequentar.
Ganho a vida a pulso.
Procuro abrir caminho para conseguir uma vida estável.

12ª Estação: Jesus morre na cruz

As crianças, como Jesus, fazem ouvir o seu grito de desespero e, abandonadas, morrem.

Porque morrem as crianças? – perguntei ao meu pai e ele não me soube responder. Disse-me que há crianças que morrem quando empunham uma arma para irem para uma guerra sem sentido, quando rebenta uma mina no caminho, quando não têm que comer, quando são obrigadas a fazer trabalhos perigosos... Mas, porquê?

13ª Estação: Jesus é deposto no regaço de Sua Mãe

O corpo de milhares de criança e adolescentes regressam à rua – sua mãe –, à margem de uma sociedade que cria pobreza e solidão.

Sou um menino de 15 anos. Nunca conheci um dia de paz no meu país, a Libéria.
Alistei-me no exército porque, sendo soldado, podia conseguir alimentos para a minha família. Os meus pais não queriam que eu me alistasse.

14ª Estação: Jesus é encerrado no sepulcro

As crianças são sepultadas pelos preconceitos e pelas discriminações dos países e das classes sociais.

Encontraram-me numa rua. Tinha sido abandonado pelos meus pais, porque não podiam sustentar-me. Agora vivo com outros meninos e meninas, que também foram abandonados.

RESSURREIÇÃO



Como Cristo, também as crianças e adolescentes ressuscitam para lutar pela justiça e solidariedade. Não há via-sacra sem ressurreição. Não há Sexta-Feira Santa sem Dia de Páscoa. Em frente do sepulcro, temos a esperança de, também nós, transformarmos o mundo numa grande família, onde os pobres, as crianças e os jovens possam viver com aquela dignidade, que tantas vezes lhes é negada.

Fonte: Audácia | Revista Missionária para Adolescentes

31 de janeiro de 2017

10 lições de Dom Bosco para a juventude



Dom Bosco
Que alegria para a juventude! Hoje a Igreja celebra o Pai dos Jovens, Dom Bosco. E nessa data especial, a melhor forma que encontramos de homenageá-lo é relembrar seus ensinamentos pra depois colocá-los em prática, claro! Vamos então às lições que Dom Bosco nos ensinou!
1- “É importante que procuremos conhecer nossos tempos e que nos adaptemos a eles”
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2- “Deus nos colocou no mundo para os outros”
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3- “Quem confia em Maria jamais será iludido”
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4- “Vivam o máximo a alegria, contanto que não façam pecado”
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5- “Quem quer ser amado, ama. E quem é amado tudo alcança, sobretudo os jovens”
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6- “A música dos jovens não se ouve com os ouvidos, mas com o coração”. E ainda acrescentou: “um oratório sem música é um corpo sem alma”!
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7- “Alegria, oração e Santa Comunhão são nosso amparo”
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8- “Não basta querer bem, é preciso que os jovens percebam que são amados"
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9- “Por vocês darei toda minha energia até o último respiro”
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10- “Aguardo-vos todos no paraíso”
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Viu quantos ensinamentos? E é bacana também saber que, mesmo depois de mais de 200 anos de sua morte, essas lições ainda guiam a vida de muitos jovens.

Fonte: A12
Como despertar os pequenos para Deus?


Esta frase acima pode ser uma pergunta, mas antes é um pedido de Deus para os pais. Encontramos no livro de Deuteronômio, 6, 6-7, a seguinte recomendação: “Estas palavras, que hoje te ordeno, estejam em teu coração. Tu as ensinarás a teus filhos e delas falarás, sentado em casa, andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te”.
Em algumas Comunidades, encontramos diversas atividades voltadas para as crianças, sem contar com a Pastoral da Catequese, que tão bem realiza sua missão, apesar de que, muitas vezes, precisa trabalhar com poucos recursos, mas faz o melhor que consegue, atingindo os objetivos propostos para estas faixas etárias.
Porém, de forma geral, temos poucas celebrações, grupos, atividades, materiais, programas relacionados à educação da fé para as crianças, sobretudo aquelas fora da faixa etária da catequese. Percebe-se que, para as crianças bem pequenas, há falta de orientação às famílias e não há atividades para despertá-las para Deus.
Muitos pais e avós desejariam mais orientações e materiais para educarem na fé seus filhos, em cada idade. Até mesmo para os adolescentes e jovens encontramos poucas propostas de desenvolvimento da espiritualidade.
A idade dos pequenos é particularmente rica em abertura e interesse para novas descobertas. Basta observar que se percebem nas crianças curiosidades em relação a tudo que se refere ao transcendente, relacionando-se bem com Deus e compreendendo a presença e a bondade na vida delas. Um exemplo está na relação das crianças com a natureza, da qual surge a compreensão da bondade e a perfeição do Deus-Criador.
Uma família que tem fé deve agir com naturalidade ao se deparar com curiosidades e perguntas das crianças, demonstrando respeito e interesse por todas as coisas que falem de Deus. O respeito e a oração são apreendidos, pelos pequenos, ao observarem seus pais e familiares vivenciando momentos de fé.
Deve-se falar de Deus, enfatizando que Ele é Aquele que ama, protege e sempre é bondoso. É importante evitar conceito de um Deus que sempre castiga, pune e não aceita as coisas normais da vida, pois esta percepção é uma distorção, que até foi utilizada, em tempos passados, para manipular as crianças, pelo medo, a realizarem a vontade dos adultos.
Apresentar Jesus como amigo mais próximo das crianças é uma maneira simples e bem próxima ao universo infantil, assim como a natureza, os animais, a família. A família que reza junto, em voz alta, que conversa sobre a fé, sonha junto com um mundo sempre mais justo e bom, desperta, no cotidiano, seus filhos e filhas para as coisas de Deus.
O exemplo dos pais é a forte ferramenta neste processo de educação da fé, assim como o exemplo de Jesus é o caminho certo a ser ensinado e seguido. O poder do testemunho é marcante e o tempo não apagará.
Finalizo, contando uma estória que li em algum lugar, do qual não me lembro o nome, e que relatava uma conversa entre um adulto e uma criança.
O adulto perguntou:
– Quem é Deus para você?
A criança respondeu que era seu grande amigo.
O adulto continuou perguntando: – Você acha que Deus é poderoso?
Sem duvidar e rapidamente, a criança balançou a cabeça afirmativamente.
Não satisfeito, o adulto perguntou por que ela achava que Deus era poderoso.
A criança pensou e respondeu:
– “Deus é poderoso porque minha mãe sempre pede para Ele as coisas mais difíceis, e Ele sempre consegue fazer”.
Com simplicidade, Deus dá, pelo testemunho dos adultos, toda a sabedoria aos pequenos. Sejamos nós, adultos, bons cristãos e testemunhas fiéis de nossa fé, para assim contribuirmos para a educação da fé das crianças em nosso redor.
Raquel Godoy  
psicóloga, educadora e coordenadora do Projeto Devotos Mirins

Fonte: Devotos Mirins
Como falar de morte com as crianças?

Raquel de Godoy Retz


A simples pergunta já nos deixa preocupados, pela dificuldade que sentimos de abordar tal assunto com as crianças.
Nos desenhos animados, mesmo quando as personagens são eletrocutadas, amassadas, trituradas, elas reaparecem vivas, isto é, a morte pode ser revertida.
Mas na vida real não é assim. A criança tem que aprender que a morte é para sempre. A experiência de perder o pai, a mãe, os avós, irmãos ou irmãs, amigos, é muito triste e, a princípio, incompreensível.
O fato de nunca mais ver a pessoa, estar com ela, conversar, é uma experiência dolorosa e fora da compreensão das crianças. Muitos adultos pensam que é melhor nunca encarar o assunto com a criança, a fim de não preocupá-la. Esconde-se a situação, mente-se; inventando-se histórias de viagens, da vovó estar dormindo ou ir “para o céu”, criam mais confusão, porque a criança pode desenvolver medo de viajar ou dormir e nunca mais acordar, inclusive ela própria. Como a criança leva tudo “ao pé da letra”, pode esperar que a “vovó” acorde ou volte da longa viagem.
Todos os especialistas, no assunto, afirmaram que, independentemente, da idade e da situação – se morreu um bicho de estimação, um parente ou amigo – não se deve esconder o fato das crianças.
É difícil afirmar com qual idade a criança tem compreensão sobre a morte, pois o desenvolvimento emocional é pessoal e depende das experiências de vida de cada um e da família.
Mas, se sabe que já aos dois anos, as crianças percebem com clareza mudanças no clima da casa, como tristeza dos pais, preocupações ou se algo da rotina foi alterado. Mentir ou omitir pode levar à perda de confiança nos adultos, inclusive nos pais, se algo é percebido ou ouvido posteriormente.
As crianças já ouviram falar em morte. Ela aparece nos livros infantis, nos filmes.
Até por volta dos 6 anos, a criança não compreende plenamente que a morte é irreversível. Como não distingue a fantasia da realidade, acredita que, como nos desenhos animados, a personagem se levanta depois de sofrer algo fatal. Ela até pode “brincar de morto”, porque a morte parece uma simples e provisória brincadeira.
Após os sete anos, a morte é sempre percebida como algo de muito ruim. A esta altura, os adultos devem explicar que a morte faz parte do ciclo natural da vida. Mas é só a partir dos 12 anos que o processo de morte pode ser assimilado pela criança.
Quando a criança convive com idosos, pode-se explicar o processo de envelhecimento, preparando para a compreensão do tema.
Perguntas das crianças são sempre positivas e nas conversas deve-se deixar que expressem o que sentem
Participar de funerais, ver a pessoa no caixão deve ser uma decisão da criança e precisa ser respeitada. Explica-se primeiro o que a criança irá encontrar, como parentes tristes e chorando, flores e despedidas, mas a decisão final a criança deve tomar.
No correr dos dias de luto, observe o comportamento de seu filho ou filha, leve-o a brincar ao ar livre (se for muito ativo), fique mais tempo com ele ou ela, mantendo a rotina da casa.
Pode-se construir, juntos, nesse tempo uma “Caixa de memórias” ou um “Álbum de Memórias”, guardando fotos e lembranças da pessoa falecida.
É difícil conversar com as crianças sobre a morte, porque também não sabemos bem o que ela é.
O que acontece com as pessoas que morrem, para onde vão, desconhecemos. Se temos nossas crenças, se acreditamos na vida depois da morte, é mais fácil, não somente para nós mesmos enfrentamos a morte suas também explicá-la a nossos filhos. Não como certezas absolutas, mas como aquilo em que acreditamos.
Vale lembrar que é inadequado dizer à criança “não chore”, “tudo vai acabar bem”, mas deixar que ela expresse seus sentimentos, a falta que sente do ente querido, que morreu. Você também pode chorar e explicar a razão de suas lágrimas. Um autor muito importante, Eugene O’Kelly, escreveu um livro com o seguinte da sub-título: como a certeza da morte mudou a minha vida (um último relato).
Ele chama de “Um presente”, a notícia de sua morte próxima. Escreve: “Fui abençoado. Disseram que eu tinha três meses de vida”. […] “fui forçado a pensar sobre a minha própria morte e, como consequência, passei a refletir melhor do que nunca sobre a minha vida” (p. 13).
Certamente, os adultos de sua família souberam conversar com ele, quando criança, sobre o mistério da morte e nele plantaram a certeza de que a morte é um enigma, mas a vida está em nossas mãos.

Referências:
– O’KELLY, Eugene e POSTMAN ANDREW. Claro como o dia: como a certeza da morte mudou a minha vida. Um último relato. Tradução de Regina Lyra.  Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.
– MARCUCCI, Cintia. Como falar de morte com as crianças.
– Acesso em 25/10/2016:
Fonte: Devotos Mirins

18 de janeiro de 2017

Como conquistar seu filho, segundo Dom Bosco


Conheça 10 conselhos de Dom Bosco para ajudá-lo a conquistar seu filho


Para se educar bem um filho é preciso conquistá-lo. Quando se conquista o coração de alguém podemos levar a pessoa a receber e acolher nossos ensinamentos e exemplos. Um rapaz enamorado faz com alegria tudo que sua amada deseja. Um filho é a mesma coisa; para educá-lo com os valores que queremos que ele viva, é preciso conquistá-lo, com dedicação, dia após dia, gastando tempo com ele, deixando de lado muitos dos nossos afazeres e prazeres para, simplesmente, entregar nossa inteira atenção a ele. Não se conquista um filho sem gastar tempo e dedicação a ele. E se não conquista-lo, como o levaremos mais para perto de Deus? A grande missão dos pais e educadores é, mais do que educar os filhos para o mundo, educa-los para Deus.
Nosso querido Dom Bosco, que dedicou praticamente toda a sua vida para cuidar de crianças, adolescentes e jovens, entre tantos ensinamentos, nos deixou algumas dicas práticas de como podemos conquistar nossos filhos:
1. Valorize o seu filho
Para conquistar um filho é preciso valorizá-lo; saber elogiar seus pequenos sucessos; mostrar-lhe os seus talentos e incentivá-lo a desenvolvê-los para o seu bem e para o bem dos outros. Seu filho deve se sentir precioso, único. Muitas vezes, os pais sabem disso, mas os filhos não. É importante dizer a ele. Ajude-o a entender seu valor para si mesmo, para a sua família, para a sociedade e para Deus. A Beata Madre Teresa de Calcutá costumava dizer que enquanto perdemos tempo julgando os defeitos, não temos tempo para amar.

2. Acredite no seu filho
Acreditar no filho é nunca desanimar por causa de seus problemas, seja na escola, em casa ou em outros assuntos. Cada criança tem seus problemas, seus medos, suas dificuldades e limitações. E cada criança é diferente da outra. Nossos filhos não são iguais. Muitos pais se desesperam ao comparar um filho ao outro. Acredite que com amor e carinho, com paciência e sabendo dar tempo ao tempo, tudo pode mudar. Na educação de meus cinco filhos eu vi isso; aquele filho que mais trabalho me deu na escola, foi o que mais se destacou nos estudos depois de adulto. Acreditar no filho é ter paciência com ele, como se tem com uma plantinha que precisa se cuidada com carinho e proteção para poder crescer. Cuide dessa plantinha a cada dia, o melhor que puder, e entregue o futuro a Deus. Se você não acreditar no seu filho, quem poderá acreditar?
3. Ame e respeite o seu filho
Não há como conquistar o filho e educá-lo bem sem amá-lo e respeitá-lo profundamente. Amar alguém significa dar-se; esquecer-se de si mesmo; dizer não a si para dizer sim ao outro. Exige renuncia, compreensão, paciência, tolerância, bondade, humildade, respeito. Nunca humilhar o filho, nunca zombar de seus erros, nunca desconfiar de suas palavras, nunca menosprezá-lo. Respeitar significa ainda nunca corrigi-lo na frente dos outros, dos irmãos, para que ele não fique humilhado e zangado conosco. Bem nos lembra São Paulo em sua carta aos colossenses: “Pais, deixai de irritar vossos filhos para que não se tornem desanimados”.Col 3,21.
Ouça também: Conquiste o adolescente
4. Elogie seu filho sempre que puder
Todo mundo gosta de ser elogiado, ninguém gosta de ser criticado. Os pais precisam elogiar os filhos nos seus acertos e sucessos, bons comportamentos, bons gestos, etc., pois isso estimula o filho a querer repetir o que fez de bom. Mas não podemos exagerar para não despertar orgulho e vaidade inconvenientes. Por outro lado, não se pode deixar de corrigir quando necessário, sempre a sós, sem que ninguém veja, fazendo a crítica construtiva e sempre mostrando a razão da correção, com carinho e sinceridade.
5. Compreenda seu filho
Todos nós temos nossos erros, e precisamos que as pessoas nos perdoem e nos ajudem a mudar. De nada vale uma repreensão severa sem o um estímulo para mudar. Dom Bosco dizia para atrair as abelhas vale mais uma colher de mel do que um barril de vinagre. A crítica ácida e humilhante nunca vai ajudar um filho a crescer e superar-se. Também é importante que cultive o diálogo com seu filho e saiba escutá-lo. Muitas crianças e jovens se queixam de não conversarem profundamente com seus pais por eles não saberem ouvir, ou simplesmente, não se importarem com o que acontece no seu dia-a-dia. Muitas vezes, você só conseguirá compreender o seu filho se conseguir penetrar na sua vida. Nem tudo os filhos falam. Também é preciso compreender seus silêncios.
6. Alegre-se com o seu filho
A alegria um grande tônico de vida; é bom ter uma pessoa que sabe sorrir ao nosso lado. Os pais devem ser alegres com os filhos, precisam saber contar histórias saudáveis engraçadas, e se alegrar com os pequenos feitos de seus filhos, desde um pequeno desenho mal rabiscado em um papel, até um sucesso na escola, nos esportes, etc. Mas os pais não podem mimar seus filhos. A Palavra de Deus diz que “aquele que estraga seus filhos com mimos terá que lhes curar as feridas” (Eclo 30,7).
7. Aproxime-se de seu filho
Viva com o seu filho. Viva no meio dele. Conheça seus amigos. Procure saber onde ele vai, com quem está. Convide-o a trazer seus amigos para a sua casa. Participe amigavelmente de sua vida. Não afaste seu filho de você, mandando-o ir para sempre para a casa dos outros. Misture-se com seus amigos em suas diversões. Para ser amigo de seu filho você precisa também ser amigos dos amigos de seus filhos, e participar de suas atividades.
8. Seja coerente com o seu filho
Não podemos tratar os filhos com desatenção ou com mentiras. E não podemos deixar de leva-los a sério pelo fato de serem crianças ainda. Nos limites de suas idades e de suas compreensões dos fatos da vida, os pais precisam considerar com cuidado e atenção suas observações, ideias, intenções, e nas conversas que possam parecer sem importância.
Por outro lado, não se pode exigir que o filho faça algo que os pais não fazem. Para educar os filhos é mais importante o exemplo do que as palavras. O filho perde a confiança nos pais quando eles dizem uma coisa e fazem outra.

9. Prevenir é melhor do que castigar o seu filho
Os educadores dizem que é preciso educar a criança para não ter que punir mais tarde os adultos. A criança precisa ser educada enquanto é criança. O livro do Eclesiástico diz: “Aquele que dá ensinamentos a seu filho será louvado por causa dele” (Eclo 30,2), e ainda: “A criança entregue a si mesma torna-se temerária” (v.8). É preciso saber corrigir os filhos com sabedoria, pois aquele que ama o seu filho o corrige com frequência para que se alegre com ele mais tarde.
10. Reze com seu filho
A educação integral da criança envolve a educação do corpo, da mente e do espírito. Não há como educar bem o filho, na totalidade da realidade humana, sem a fé e a religião; pois sem isso o filho deixa de ter uma formação transcendente, que supera os limites dessa vida. Fomos criados por Deus e para viver com Ele aqui e na eternidade; por isso, Ele como o “escultor” de nosso ser, sabe o que é melhor para sermos felizes. Deixar de seguir as leis de Deus seria fazer como alguém que usa uma máquina sem observar o catálogo do seu criador.
Prof. Felipe Aquino

Fonte:http://cleofas.com.br/como-conquistar-seu-filho-segundo-dom-bosco/

13 de outubro de 2016

O que acontece na infância não fica na infância



Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco, mas somos responsáveis pela infância de nossos filhos.
Há tempos, sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável. Recentemente, li algo sobre o assunto, que citava o seguinte exemplo: se uma criança, que chora e pede para ser alimentada, é ignorada pela mãe no momento do choro, mas é atendida quando espera em silêncio, esta criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir e nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio.
Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Esta criança se tornará um adulto que não luta pelo que quer, mas que espera silenciosamente. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um individuo a sua vida inteira, sem que o mesmo nem se dê conta.
Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias, a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa: falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo, além de esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar freneticamente com as crianças. Por vezes, trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa.
O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher estava sempre competindo com a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável e a mulher parecia ser tranquila.
Eu me pergunto: o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe? Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da insegurança da mãe?
De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?
Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas proporcionam. Conheço uma psicóloga que decidiu pausar sua vida profissional, quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha, para que a mesma pudesse se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e com comportamentos oriundos de uma infância mal vivida. Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano.
Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.
Ser criança é ser um indivíduo vazio, pronto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças?
Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, utilizamos os recursos da psicologia. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.
Que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e difícil.
Porque o que acontece na infância não fica na infância. Mas fica… para a vida toda!
Fonte: Aleteia

Como explicar o mal às crianças?



Uma leitura importante para os pais
Crimes, guerras, terrorismo e violência fazem parte do mundo que as crianças têm para descobrir. O confronto entre um mundo seguro e protetor e o mundo real pode traduzir-se em dúvidas e medos. E as questões começam a surgir em catadupa. Como podem os educadores responder às crianças? Como colocá-las perante o inevitável sem que isso as deixe paralisadas?
O Homem e o mundo são feitos de contrastes, entre bem e mal, certo e errado, paz e guerra, extremismo e tolerância, e, ainda que se tentasse, seria quase impossível tentar privar os mais novos desta dicotomia. Mas é isto o mesmo que dizer que os miúdos devem estar expostos a todas as violências?
Nos últimos meses, a História da humanidade tem-se construído também com atos particularmente difíceis de assimilar: pessoas assassinadas por uma opinião expressada, pessoas perseguidas pela religião que professam, meninas raptadas, maltratadas e mortas, cujo “crime” foi irem à escola, crianças, muitas crianças assassinadas e algumas utilizadas como bombas.
Nem sempre é fácil perceber onde fica a fronteira entre o contato desejável com a realidade e a informação em excesso, entre o que é essencial e o que é “sensacionalista”, entre o que é necessário e dispensável.
Essa gestão deve, em primeiro lugar, «ser feita pelos educadores», começa por dizer Bento Sério, psicólogo.
E há aspetos a ter em conta. A exposição à violência deve ter «alguns filtros». «Há coisas que nós podemos, se as crianças são muito pequeninas, ter cuidado… naquilo que se vai mostrar, naquilo que se vai dizer.»
O que não é o mesmo que dizer afastar a criança da realidade ou mantê-la numa «paz podre», continua o psicólogo. Até porque em algum momento a criança poderá ser confrontada com a violência, possivelmente sem o enquadramento desejável por parte de um adulto. «A paz que a ignorância traz pode ser rapidamente abalada quando a informação chega de forma inadequada», por exemplo, através de outras crianças e sem a devida contextualização.
A opinião é partilhada por Maria da Conceição Moita, educadora de infância que, numa entrevista por e-mail, explicou que, consoante a fase de desenvolvimento da criança, poderá não fazer sentido expor as crianças a determinadas imagens. «Não faz sentido que vejam telejornais (e mesmo outros programas…) quando não têm capacidade de distanciamento crítico, quando ainda não têm possibilidade de entender o conteúdo da notícia e só veem imagens que lhes sugerem qualquer coisa que as perturba.»
A educadora entende também que, quando já conseguem compreender o que se lhes apresenta, os educadores devem acompanhar as crianças em matéria de violência. «Não só lhes dá segurança como pode ser uma ajuda fundamental no entendimento do que se está a ver/ouvir e na construção de um sentido crítico que não deixe as crianças “desamparadas” perante uma situação que pode ser para elas muito agressiva e chocante. Conheço famílias em que todos veem o telejornal em conjunto, o que propicia o comentário partilhado e emergência de perguntas. O abandono das crianças diante de um televisor é que me parece muito negativo», continua.
Nas explicações dadas pelos educadores, Bento Sério considera que há também outros fatores a que os adultos devem dar atenção, nomeadamente ao que a criança já sabe sobre o tema, «porque provavelmente ela já ouviu qualquer coisa e só quando nós perguntamos à criança o que é que ela sabe sobre isso é que nós ficamos a perceber qual o tipo de resposta que temos de lhes dar, sem ter de estar a dar demasiada informação e a contribuir para que ela se baralhe ainda mais quando se calhar ela apenas queria saber uma coisa simples».
Igualmente importante, em idades mais jovens, é simplificar a linguagem. «Se nós não simplificarmos, provavelmente a seguir a esta questão virá outra. Temos de saber responder de forma clara para garantir que a resposta que lhe damos a satisfaz por completo», afiança o psicólogo. Para além disso, «não vou deixar a criança a pensar sobre o assunto, pois ela não tem capacidade de abstração» para poder «refletir» sobre a questão.
De acordo com cada momento, a criança, à medida que se vai desenvolvendo, vai pedindo explicações mais elaboradas sobre os temas, e Maria da Conceição Moita recorre a um exemplo prático. «Ninguém janta uma vez por todas. As crianças vão aprendendo a História, vão aprendendo a contextualizar, vão vendo as relações humanas de forma mais complexa. É toda uma aprendizagem. Que também se faz ao longo da vida», conclui.
Bento Sério considera que, por vezes, pode acontecer que as crianças fiquem um pouco assustadas quando são confrontadas com o lado escuro da realidade, mas que «há sempre formas de desconstruir algo que não é bom. Não nos podemos esquecer de que estamos a trabalhar com crianças e às vezes demora a que elas consigam entender ou aceitar aquela explicação de uma forma mais leve, não tão assustadora.»
Ainda assim, é possível chegar a um meio-termo entre o medo e a segurança, entre uma vivência descontraída e alguns cuidados a ter. Ao explicar à criança episódios violentos, o adulto pode não só ajudar a criança a aperceber-se e proteger-se dos perigos, mas também a percepcionar, para cada aspeto negativo, um positivo.
No fim da história, o que é importante é que a criança perceba que «não está sozinha», defendem os dois especialistas, e que tenha sempre presente que «o Amor nos acompanha», conclui Maria Conceição.
Fonte:http://pt.aleteia.org/2015/04/16/como-explicar-o-mal-as-criancas/